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terça-feira, janeiro 30, 2007

AS RAZÕES DO MEU "NÃO"

Dia 11 de Fevereiro, irei votar "NÃO", à pergunta que vai ser formulada aos Portugueses, feita com o recurso a uma linguagem dúbia, confusa e que permite que as pessoas menos informadas nem sequer saibam aquilo a que estão a responder.

Fixar as 10 semanas de gestação, como a barreira para a admissibilidade nua e crua do Aborto, em Portugal, a pedido da mulher, só pode merecer o meu repúdio, por partir da premissa que, por qualquer motivo ou sem ele, o Aborto passe a ser uma rotina ou algo "normal", no dia-a-dia dos Hospitais Portugueses, que se debatem com Listas de Espera extensas, falta de meios humanos e técnicos e terão de arranjar "espaço e tempo" para destruirem vidas inocentes, a pedido...

Eu defendo o "NÃO", porque a VIDA é um valor que não tem preço e tem de ser defendido, não se pode filosoficamente dizer que a VIDA só existe a partir do momento "x" ou "y"; a VIDA é um processo que se inicia com a fecundação do óvulo e que só termina com a morte do ser vivo.
A VIDA não pode friamente ser compartimentada, considerando-se que a mesma só mereça a tutela jurídica a partir de determinado momento (pretendem que esse momento passe a ser as 10 semanas de gestação).

Os defensores do SIM argumentam que a pergunta do Referendo parte das 10 semanas de gestação, porque "estudos" apontam que a maior parte dos Abortos (cerca de 70%) ocorrem até essa altura e se o Aborto for liberalizado até esse período temporal, combate-se o aborto clandestino e dá-se a oportunidade de a mulher não correr riscos com a sua saúde, fazendo a I.V.G. num estabelecimento de saúde, com todas as condições...

Este argumento é errado e tremendamente egoista, uma vez que só abarca um dos lados da questão e não defende a vida intra-uterina, como vida autónoma do corpo da mulher bem como não resolve o problema do aborto, atacando a sua génese, as suas causas.

Despenalizar o Aborto até às 10 semanas, é adiar o problema, porque não o resolverá, pelo contrário, nos países onde o mesmo foi liberalizado, o Aborto aumentou exponencialmente.

Se a despenalização é a solução, qualquer dia também teremos um Referendo para despenalizar o consumo das drogas, argumentando que assim se resolve o problema do tráfico...

O Aborto representa o fim provocado da vida de um feto, tão simples como isso.

O que vai estar em causa neste Referendo, não é uma "interrupção voluntária da gravidez" mas sim o "termo voluntário da gravidez a pedido da mulher".

A mulher não está a dispor do seu próprio corpo, porque o feto não é uma mera extensão do corpo da mulher, a mulher quando decide abortar, não está a dispor do seu corpo, mas do corpo de um outro ser vivo; isso ninguém pode refutar, porque é um facto indesmentível.

Outra falsa questão, muito esgrimida pelos defensores do SIM, é que a descriminalização do Aborto é a forma de evitar que as mulheres continuem a ir para a prisão, sujeitas ao vexame de um julgamento e à exposição pública da sua vida.

Este argumento do SIM é falacioso, uma vez que se o aborto se realizar a partir das 10 semanas, continuará a constituir um crime e como tal, nada se altera nesse sentido, com este Referendo.
Também gostaria que os defensores do SIM me dissessem quantas mulheres estão ou estiveram na prisão, por terem feito um Aborto...

Eles esquecem-se que a culpa é um factor determinante na atribuição da pena e que existem causas que excluem a ilicitude do acto... Se calhar não convém dizer à Opinião Pública que nas prisões portuguesas não se encontra nenhuma mulher por ter cometido um Aborto até às 10 semanas de gestação...

Isso não impede que o Aborto seja um acto ilícito, porque rouba a vida a um ser vivo, sendo por isso em si mesmo condenável e merecendo a reprovação da generalidade das pessoas.; a sua eventual despenalização, caso o SIM saia vencedor, tendencialmente tornará o Aborto um acto "normal", perderá a sua carga negativa e com isso o efeito dissuasor que obsta à sua prática.

Também constitui um facto indesmentível que a liberalização do aborto provocou o seu aumento brutal, nos países em que o mesmo teve lugar: as estatísticas demonstram isso mesmo, basta ver, por exemplo, o que sucede na vizinha Espanha, na Inglaterra ou nos Estados Unidos da América...

Portugal é um país que tem assistido a quebras sucessivas na taxa de natalidade nos últimos 30 anos e não estou a ver o nosso país, caso o SIM seja vencedor e a quebra nos nascimentos continue a aumentar, a seguir o exemplo da Alemanha, que tenta combater a baixa natalidade oferecendo 25.000 euros por cada filho que os casais decidam ter)...

Estima-se que ano passado, tenham sido feitos mais de 16.000 abortos em Portugal... 16.000 vidas humanas a quem não foi dada uma oportunidade, um futuro...
As pessoas mobilizam-se e ficam chocadas, quando nos noticiários passam notícias de maus tratos a menores... Mas esquecem-se da brutalidade que preside a cada Aborto que se faz em Portugal, se calhar porque são vítimas sem rosto, sem nome, sem memórias...

Regra geral, no Aborto existem sempre duas vítimas... Uma que sobrevive e outra que morre...
Desde 1998, o Aborto Clandestino matou 4 mulheres em Portugal: é dramático isso ter acontecido, mas mais dramático é saber que nesse mesmo período temporal, estima-se terem morrido em Portugal entre 12.000 a 16.000 fetos, por ano... Façam as contas...

Caso o SIM vença, o Aborto poderá ser feito a pedido da mulher, até às 10 semanas de gestação; será que queremos tornar os nossos hospitais em matadouros de fetos, em que se façam Abortos em série, como um normal acto médico?
Este cenário já mereceu o repúdio de muitos médicos, que afirmaram que caso o SIM vença, pura e simplesmente se recusarão a praticar Abortos, excepto nos casos excepcionais previstos pelo seu Código Deontológico, alegando razões éticas.

Liberalizar o Aborto não é resolver o seu problema. Esse é o caminho mais fácil e o que menos trabalho custa a fazer.
A luta contra o Aborto Clandestino é uma questão de Saúde Pública, liberalizar o Aborto é demitir o Estado das suas responsabilidades nesse campo, porque não combate as causas do Aborto: mais e melhor educação sexual, maior informação e acesso a métodos de contracepção, existência de gabinetes de planeamento familiar em todos os Centros de Saúde com pessoas devidamente formadas nessa área, apoio à Maternidade e à Infância, menor burocracia nos processos de Adopção, seriam alguns dos aspectos a merecer atenção no combate e repressão do Aborto.

Dia 11 de Fevereiro, podemos dar o primeiro passo nesse caminho, ao defendermos a vida intra-uterina, podemos fazer de Portugal um país pioneiro na defesa das suas Mães e das suas Crianças...

Simplesmente basta dizer NÃO ao Aborto...

3 comentários:

Gisela disse...

«Simplesmente basta dizer NÃO ao Aborto...»

Começando pelo fim... Não ao aborto? Eu digo Não ao aborto e voto SIM. Não vejo a pertinência da afirmação para este referendo. A nossa posição em relação ao aborto não interessa muito, porque ninguém nos perguntou qual era.

«e que permite que as pessoas menos informadas nem sequer saibam aquilo a que estão a responder.» As pessoas menos informadas não sabem o que estão a responder porque são dispersadas pela informação propagandista. Mas, pelos vistos, as informadas também se deixam enganar por questões acessórias, como demonstra a tua última frase.

«o Aborto passe a ser uma rotina ou algo "normal", no dia-a-dia dos Hospitais Portugueses,»
É só mudança de cenário. Já é o dia-a-dia nas clinicas clandestinas, em Espanha e em casa de quem faz aborto quimico, cada vez mais.

«a VIDA é um processo que se inicia com a fecundação do óvulo»

Do ponto de vista biológico sim. Ninguém pode negar. Como ninguém nega que um ovo é vida e tu não deixas de o comer. Mas certamente que te referias à Vida Humana. E desse ponto de vista não há concenso sobre o inicio. Por acaso eu concordo que a vida humana começa na concepção. Tenho essa crença enraizada em mim. Mas repara que é uma crença minha e tua. Nem toda a gente pensa assim. Devem ser perseguidos e punidos quem não pensa assim?
Deixo-te algumas questões:
Quando dirias que um ser humano está morto? Sabes que o teu coração pode estar a bater, os teus orgãos a funcionar mas tu estares morto? Consideras o consentimento para desligar as máquinas das pessoas que se encontram em estado vegetativo um assassinio punivel com pena de prisão? Toda a gente sabe que ali está uma vida mas sem a actividade cerebral, deixou de ser uma "vida humana". E ainda assim a familia que consente sofre muito com a decisão que toma. Mas então se se põe termo àquela vida porquê que isso não é condenado?

«A VIDA não pode friamente ser compartimentada, considerando-se que a mesma só mereça a tutela jurídica a partir de determinado momento»

Isso já acontece. A Igreja compartimenta, não fazendo funeral para o feto. A justiça compartimenta ao defenir as semanas já previstas na lei para abortar. Não é nada de novo!

«Este argumento é errado e tremendamente egoista, uma vez que só abarca um dos lados da questão e não defende a vida intra-uterina»

Vais-me dizer que deixando tudo como está se defende a vida intra-uterina? Não te maces a responder. A realidade responde por ti.

«(...)não resolve o problema do aborto, atacando a sua génese, as suas causas.»

Só despenalizando e tornando tudo transparente se consegue atacar a génese. Como consegues tu ir às causas para as resolver de raiz ou como consegues tu dissuadir alguém se não estás em contacto com esse alguém. Parece-me pouco racional...

«Se a despenalização é a solução, qualquer dia também teremos um Referendo para despenalizar o consumo das drogas, argumentando que assim se resolve o problema do tráfico...»

Em primeiro lugar o consumo de drogas não é penalizado. É uma opção de cada um consumir droga. Eu acho que consumir droga é mau mas não pretendo perseguir nem prender ninguém que o faça. Mau exemplo.

«a mulher não está a dispor do seu próprio corpo, porque o feto não é uma mera extensão do corpo da mulher, a mulher quando decide abortar, não está a dispor do seu corpo, mas do corpo de um outro ser vivo»

A propósito desta frase talvez recordar Vital Moreira no Prós e Contras da RTP:

«Eu julguei que uma marca da civilização era que as pessoas não deviam manter gravidezes à força e indesejadas. Que o acto mais livre de uma pessoa livre é ter filhos desejados.

Mas tenho que concluir que este não é um sentimento comum e há pessoas que entendem que a gravidez se pode impor pela força do código penal e que os filhos também. Portanto há também os filhos do código penal.»

«Este argumento do SIM é falacioso, uma vez que se o aborto se realizar a partir das 10 semanas, continuará a constituir um crime e como tal, nada se altera nesse sentido, com este Referendo»

Nada se altera neste aspecto? Altera-se para mais de 70% das mulheres (e esta percentagem decorre da inexistência de um limite actualmente!) que assim não correm risco de vida, a sua vida intima não corre o risco de ser um circo publico, etc, etc, só quem passa por isso sabe bem o que muda "neste aspecto".

«Também gostaria que os defensores do SIM me dissessem quantas mulheres estão ou estiveram na prisão, por terem feito um Aborto...»

Era isso que pretendias?
Por outro lado esse facto só dá razão ao Sim. Nem os juizes se acham no direito de condenar aquelas mulheres. Para que serve então a lei senão para empurrar as mulheres para a clandestinidade.

«caso o SIM saia vencedor, tendencialmente tornará o Aborto um acto "normal", perderá a sua carga negativa e com isso o efeito dissuasor que obsta à sua prática.»

Bem se vê o efeito dissuasor...

«Portugal é um país que tem assistido a quebras sucessivas na taxa de natalidade nos últimos 30 anos e não estou a ver o nosso país, caso o SIM seja vencedor e a quebra nos nascimentos continue a aumentar, ...»

Olha a França. Aborto legalizado há 30 anos. É o pais mais fecundo da Europa. Se queremos ser sérios não podemos, em rigor, estabelecer um relação causa-efeito. MAs isto só se quisermos ser sérios...

«mais e melhor educação sexual, maior informação e acesso a métodos de contracepção, existência de gabinetes de planeamento familiar em todos os Centros de Saúde com pessoas devidamente formadas nessa área, apoio à Maternidade e à Infância, menor burocracia nos processos de Adopção»

Que eu saiba votar SIM não exclui nenhuma destas medidas, ou exclui?

Sei que não posso demover-te da tua posição. Mas em memória dos tempos do lana caprina quero conversar um pouco sobre o assunto. Fico a aguardar a tua resposta, (como fiquei a aguadar a resposta aos comments em posts mais a baixo...sem resultado ;) ).

Bjs

KNOPPIX disse...

Querida amiga, Gisela, foi com prazer que registei o teu regresso ao universo bloguístico, desta vez para defenderes aquilo em que acreditas, apesar de não partilhar do teu ponto de vista, mas respeitando-o, porque é o meu modo de estar na vida.

Gisela, eu digo não ao Aborto, digo não ao facilitismo que essa solução encerra, porque o Aborto é algo sem retorno, é o fim para uma vida em formação.

A minha posição interessa, a tua também, a opinião de todas as pessoas interessa, será ela que vai decidir este Referendo, é preciso despertar consciências, fazer as pessoas decidirem, pelo SIM ou pelo NÃO, mas votarem, vincarem aquilo que realmente querem.

As pessoas menos informadas acham confusa a pergunta, tal como a acharam em 1998... Se fores ao Portugal profundo, encontrarás muitas pessoas que depois de lerem a pergunta do Referendo, ficam confusas, aquilo está mal formulado, é pena.

A liberalização do Aborto fará que os hospitais deixem de salvar vidas, para as matar...
Estou contra a liberalização do aborto, porque permite o aborto a pedido, uma decisão egoista, sem fundamento, poderá ser suficiente para que ele aconteça...

Por os outros países agirem de modo errado eu terei de fazer o mesmo? O Aborto está na moda e como tal, tenho de aderir a ele? Portugal pode ser pioneiro e como já li, vi e ouvi, para mim ser moderno é defender o NÃO ao Aborto.

Querida Gisela, as tuas questão, essas sim, são acessórias, estamos a debater o Aborto, não a Eutanásia, talvez se essa questão vier a ser objecto de um Referewndo, nessa altura, emitirei a minha opinião.

Gisela, a vida não pode ser compartimentada, sou cristão e não me revejo na Igreja Católica, muitos dos seus dogmas e fundamentos estão errados.
A vida é como um círculo, está em devir, em constante processo evolutivo.

Este Referendo quer legalmente, impor uma data a partir da qual a vida tem tutela legal, isso ainda não é uma realidade e contra ela eu luto.

Gisela, dizer NÃO é o ponto de partida para defender ainda mais a vida intra-uterino. Como? Já o referi neste Post.
Os movimentos pelo NÃO, desde o último referendo não ficaram parados, as Associações de apoio à maternidade e à infância surgiram um pouco por todo o país, com os recursos possiveis, tentamos preservar a vida humana, informando, aconselhando, encaminhado as jovens mães e as famílias que ponderam o Aborto xcomo uma solução quando ele não passa de uma ilusão.

A despenalização das drogas não foi um mau exemplo, apenas um alerta para que liberalizar algo mau, nunca resolverá o problema da existência desse algo...
Importa atacar as causas e não optar pela via mais fácil, como se liberalizar o aborto, dar-lhe um aspecto mais "clean" resolvesse o quão errado ele é, em termos sociais, humanos, éticos, morais, pessoais,...

Vital Moreira, apenas considera um dos lados da questão, o lado da mãe; esse sim, foi um mau exemplo e um mau contributo a este debate.

Gisela, sou contra liberalização do aborto, mas defendo que o aborto devia ter um outro enquadramento penal, nunca existir a hipótese de a mulher de a mulher enfrentar a pena de prisão por esse acto; a pena de prisão deveria ser apenas para quem faz o aborto, médicos, parteiras ou "curiosos".

A França é uma excepção no panorama europeu dos países que permitem o Aborto e sabes porquê? Penso que o sabes...
A França tem na sua população cada vez uma maior componente de emigrantes de 2ª e 3ª geração, é um país que assiste a uma renovação da sua população, muito por força desses franceses que adoptaram a França como país para trabalharem e viverem.
Mas se fores ver o que se passa nos restantes países europeus, o cenário é totalmente diferente: Espanha, Alemanha, Inglaterra, vê o que se passou nesses países, tens as estatísticas do EuroStat...

Gisela as politicas de melhor educação sexual, planeamento familiar, que eu abordei no texto do meu Post, passam por abordar o Aborto numa perspectiva multidisciplinar: o SIM nada fez em 8 anos para ajudar quem enfrenta o drama do Aborto... O NÃO fez...
Será que se o SIM ganhar, ele fará alguma coisa? Tenho muitas dúvidas...

Amiga Gisela, desculpa a minha resposta tardia aos teus 2 comentários, mas entre a minha vida profissional e pessoal, tenho tido manifestamente pouco tempo para dar atenção a tudo, beijinhos para ti e volta sempre.

Anónimo disse...
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